Monthly Archives: Agosto 2008

A entrevista

Em primeiríssima mão, os leitores deste blog poderão ler a entrevista que fiz com o mentor intelectual do Movimento Educacionista, senador da República Cristovam Buarque, leia, reflita e veja o que você pode fazer pela Educação do Brasil. Boa leitura!

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Entrevista com Cristovam Buarque – parte II

ES: Isso não seria utopia demais para um país como o nosso?

 

CB: De jeito nenhum! É a revolução na educação. Uma revolução silenciosa. Mas não a faremos se a mentalidade continuar a atual.

 

ES: E como ficaria a questão dos professores se o país decidisse fazer essa revolução na Educação?


CB: Eles teriam que ganhar melhor para trabalhar com mais motivação. Mas só isso não basta. Não se justifica pagar bem a um educador despreparado como muitos que aí estão e que não consegue gerar resultados dentro da sala de aula. Tem que se equipar as escolas, oferecer todas as condições ao professor – inclusive bons salários – mas também é preciso cobrar que esses educadores devolvam resultados, que sejam os melhores possíveis. Caberá a eles fazer crianças e adolescentes avançar em cada etapa dessa revolução silenciosa


ES: Continuidade de políticas públicas é um problema muito sério no Brasil. O melhor exemplo é dos CIEP´s criador por Darcy Ribeiro e Leonel Brizola no Rio de Janeiro, que hoje viraram sucata…

 

CB: Você tem razão. Se os CIEP´s tivessem sido mantidos como política pública não do Brizola, mas na condição de patrimônio da Educação do Rio de Janeiro, é possível que o Rio não estivesse mergulhado na violência que temos hoje. Não teríamos o grau de desemprego e de desigualdades que aí está. Não teríamos o atraso que exibimos em relação ao exterior. A idéia dos CIEP´s, que previa escola em tempo integral há mais de vinte anos era para ter-se espalhado por todo o Brasil. São dois muros que nos emperram: o do atraso em relação aos países desenvolvidos, e o muro da desigualdade eterna aqui dentro. Só revolucionando a Educação é que eles serão derrubados.

 

ES: Onde o Brasil mais acerta, e onde mais erra no trato com a Educação, dentro da realidade que temos?


CB: O maior erro é manter a educação como uma política municipal. Esse é o maior dos erros. Acerta em ter um bom programa de merenda, um bom programa de livros didáticos. É o que temos de melhor, mas é muito pouco.

 

ES: O senhor acredita que possa mobilizar a população para buscar uma revolução na educação?

 

CB: Acredito. Há 50 anos o Brasil foi redemocratizado pela passeata do povo nas ruas, pedindo a volta da democracia ainda no governo Vargas. À partir daí todas as mudanças que ocorreram no país só se tornaram possíveis com a mobilização do povo nas ruas – anistia, constituinte, impeachment, diretas, tudo. Se o povo não for às ruas pedir, cobrar, exigir, não acontece nada neste país. Então está na hora de fazermos uma grande marcha pela Educação Já. A hora é agora. Eu quero estar presente na primeira dessas manifestações. Quero sair no retrato, na foto da primeira grande passeata brasileira pela Educação Já.

 

ES: O PDT agora é governo no âmbito federal. Foi oposição no passado. Como o senhor avalia esse dinamismo político?

 

CB: Não vejo mal nenhum que o PDT colabore com o governo Lula. Mas temo que haja uma diluição do partido em que um governo que pode não levar adiante os sonhos que o PDT tem, no caso, uma revolução na educação. Tenho preocupações, mas como também lhe disse à pouco também tenho esperanças.

 

ES: Cristovam, o Sr. ainda guarda mágoas do presidente Lula pela forma como foi sacado do governo Lula na administração passada?


CB: Se ele quiser fazer o que é preciso na Educação do Brasil, eu não faço nenhuma questão de estar dentro do governo e ser ministro. Na época da minha saída o que eu lamentei não foi a minha demissão ou como ela foi feita, mas sim a paralisação dos projetos que estavam em andamento. Agora, porém, o ministro Fernando Haddad está retomando, um por um. Um deles, a Poupança-Escola será retomado, mudando apenas o nome para Poupança Educacional. O programa de alfabetização idealizado na minha gestão no ministério também está voltando agora. Pena que na proposta inicial para erradicar o analfabetismo eu tenha proposto investir três milhões por ano e o governo só esteja disposto nesse momento, a investir um milhão de reais. Mas é salutar a retomada de idéias que o governo Lula agora reconhece que eram corretas. Estou contente como senador e não estou atrás de cargos na administração federal. Não guardo nenhuma mágoa. O importante é contribuir, ajudar o país a promover uma verdadeira revolução na educação.

 

ES: Deixe um recado para os Educadores e Professores de Indaiatuba?


 CB: Quero dizer que é possível melhorar ainda mais a Educação aí em Indaiatuba. É perfeitamente possível uma Educação integral com Escolas de qualidade iguais para todos. É possível ter escolas que sejam iguais e com qualidade para todas as suas crianças, sejam elas filhos dos empregados ou filhos dos empregadores. É possível que o Professor e o Educador tenham condições ainda maiores de ensinar e darem aulas. Acreditar nisso é ser Educacionista. O Educacionista luta e defende que numa cidade como Indaiatuba, é possível que a maioria das escolas públicas sejam ainda melhor que todas as escolas particulares da cidade. Defende que todos os Educadores e Professores acompanhem e participem dessa evolução, e se qualifiquem ainda mais para poderem ensinar ainda mais. Defende a participação de todos os segmentos da sociedade na elaboração das Políticas Públicas da Educação. E finalmente, defende a interação de todos com o Núcleo Educacionista de Indaiatuba, formado exatamente para defender essa revolução silenciosa, que já está acontecendo aí em Indaiatuba. Os índices de desenvolvimento mostram isso. Tenho um carinho todo especial por Indaiatuba. Vejo uma cidade muito avançada na Educação e partilho grandes amigos aí, como o Reinaldo Nogueira, o José Onério, o prof. Alberto Martins – esse, um grande pensador da Educação – e você, Éber, coordenador do Movimento Educacionista de Indaiatuba. Quero finalizar dizendo que todos podem nos ajudar nessa revolução. Isso é possível! Isso é necessário! O Brasil precisa muito! Muito obrigado e um grande abraço a todos.

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Entrevista com Cristovam Buarque – Parte I

Entrevista com Cristovam Buarque

Por Éber Sander

                                                             

O senador Cristovam Buarque do PDT é um obstinado. Disputou a Presidência da República nas eleições de 2006, falando quase exclusivamente da Educação. Para todos os problemas, desigualdades e mazelas brasileira debatidos exaustivamente ao longo da campanha, Cristovam insistiu em afirmar que o Brasil só dará um salto efetivo de qualidade quando se dispuser a investir maciçamente na Educação. Na semana passada ele veio à Bienal Internacional do Livro em São Paulo. O senador explicou que a liberdade não existirá enquanto não houver uma mesma escola para os filhos da senzala e os filhos da casa grande. Gentil, simples e visionário, Cristovam Buarque nos recebeu para explicar sobre o Movimento Educação Já…

 

Éber Sander: O Brasil de fato precisa da revolução na Educação que o senhor vem pregando?

Cristovam Buarque: Precisa. Sem uma revolução a Educação nunca será encarada como prioridade real. Educação é como vacinação. Você dá um salto revolucionário.

 

EB: Mas, aos poucos, temos evoluído na Educação, segundo a maioria dos governantes…

CB: Evoluindo aos pouquinhos nunca chegaremos lá. Faz tempo que o Brasil vem evoluindo aos pouquinhos. Garantia da merenda, do livro didático, transporte, Fundef, Fundeb. É pouco. São ações tímidas, estanques. O Brasil precisa de muito mais para tornar-se uma nação desenvolvida. E para isso só com um salto, uma revolução na educação. Radical.

 

ES: E como podemos fazer essa revolução?

 

CB: Primeiro deixar claro que o Plano de Educação de Base tem que ser federal. Ou seja: Nacional, não municipal ou estadual. O Brasil tem muitas desigualdades na renda das cidades. Deixando para os municípios a educação das crianças, como é hoje, só colheremos tragédias. Em muitos casos a criançada será educada de acordo com a sorte do lugar onde nasceu. Outro problema é a continuidade. Políticas públicas de educação não podem ser interrompidas porque quem era oposição e virou situação decidiu mudar as regras ou porque alguém que tomou posse coloque em prática uma tese de mestrado de um parente seu. Por isso precisamos de um projeto nacional, maduro, da sociedade e de todos os partidos.

 

ES: Só isso basta?

 

CB: Claro que não. A etapa seguinte é criar o Ministério da Educação de Base, tirando as universidades do Ministério da Educação e Cultura, MEC. Ou o contrário, tirando a Educação de base do MEC e deixando, nesse caso, o Ministério só com as universidades. Também teríamos de partir para a criação de uma Agência Nacional de Proteção a Criança e o Adolescente, definindo que o Brasil vai ter todas as escolas funcionando em regime de tempo integral.


 ES: E quanto tempo o Brasil levaria para ter essas bases fundamentais implantadas?

 

CB: É um processo de médio e longo prazo, que levaria entre dez e vinte anos. E até lá a implantação seria por cidade. Pegamos uma cidade, derrubamos as escolas, construímos outras com qualidade e planejamento, com computadores, acesso a Internet, livros, contratamos e formamos professores, definido uma nova estrutura cidade por cidade. Acredito que em quatro anos é possível fazer isso em mil municípios. Em mais quatro anos, faz-se em mais dois mil. Nos outros quatro, mais dois mil. Pronto. Aí é esperar que a nova geração de alunos se formem nessas escolas. A partir daí, haverá uma melhoria na universidade.

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A sabedoria começa na reflexão – Sócrates…

“Por que cometer erros antigos se há tantos erros novos a escolher?”

Joseph Joubert

 

“A simplicidade é o último degrau da sabedoria”

Gibran

 

“O único progresso verdadeiro é o progresso moral. O resto é simplesmente ter mais ou menos bens”

José Saramago

 

“Um país que tem um grande número de analfabetos e não faz nada para mudar, deve ter seus políticos reprovados nas urnas”

Éber Sander

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Falou o que não devia

“A procriação consangüínea é a maneira como conseguimos cavalos campeões”

Carl Gunter, tentando, eu disse, tentando explicar por que era contra o projeto que permitia o aborto em casos de incesto

 

“Não acho que fizemos nada de errado em tomar deles este grande país. Havia um grande número de pessoas que precisava de novas terras e os índios estavam sendo egoístas em querer ficar com elas”

John Wayne, isso está me parecendo o Brasil de hoje…

 

“Os rapazes não queriam fazer mal algum às moças. Eles queriam simplesmente estrupá-las”

Joyce Kithira, vice-diretora de um internato feminino no Quênia. Os rapazes a que ela se referia estruparam 71 e mataram 19. Deve ser discípula de um candidato a prefeito de São Paulo…

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O Brasil cresce, e você?

Para contratar uma palestra ou treinamento com Éber Sander, envie e-mail para: eber.sander@gmail.com e saiba mais. O Brasil está crescendo, não perca a oportunidade de crescer também!

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